A cantora Dora Bahiana interpreta canções do compositor Alcyvando Luz no Solar Boa Vista e Dona Canô


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Foto: Otoniel Catarino

O projeto cultural “A Bahia de Ouro e Pedra de Alcyvando Luz” é uma homenagem e expansão da vasta obra do compositor baiano e multi-instrumentista Alcyvando Luz. Através da realização de seis shows, a cantora, atriz e filósofa Dora Bahiana, afilhada musical de Alcyvando, interpreta as canções do Nêgo Véio da Bahia. Com estilo versátil, Dora traz nova roupagem às músicas que fizeram sucesso nas vozes de outros artistas, como João Gilberto, Caetano Veloso e Cesária Évora, além de apresentar algumas das músicas inéditas de Alcyvando.

As apresentações, que têm direção musical de Son Melo, acontecem no Teatro Cine Solar Boa Vista (Salvador) e no Teatro Dona Canô (Santo Amaro da Purificação), entre fevereiro e maio de 2016. Os shows contam com abertura de artistas convidados. Já as duas últimas apresentações em cada cidade serão antecedidas por workshops, a serem realizados no mesmo local, para reforçar o propósito de difusão e valoração da música popular brasileira, autenticamente baiana.

A primeira apresentação do projeto aconteceu no dia 12 de fevereiro, no Teatro Amélio Amorim, em Feira de Santana, o cantor e compositor Marcus Moniz fez o show de abertura. Já na capital soteropolitana, o primeiro show ocorreu no dia 19 de fevereiro, com a abertura da pianista Kadija Teles. Ainda, houve espetáculo no dia 01 e está previsto outro no dia 22 de abril – data que celebra os 18 anos de morte de Alcyvando Luz. Nesta ocasião, no Teatro Cine Solar Boa Vista, às 19h30, o projeto conta com realização de um workshop e a mediação é por conta do costarriquenho Mario Ulloa, violonista e doutor em música, que aborda a temática “Reflexões sobre a influência da música baiana no cenário internacional”. O show de abertura será feito pelo instrumentista Marcelo Issa, às 18h30 com seu “Choroinho”, o melhor da autêntica música brasileira, na última apresentação do projeto em Salvador.

No dia 07 de maio, em Santo Amaro da Purificação, o compositor Valdir Lopes solta a voz na abertura, antes de Dora Bahiana subir ao palco. Já no dia 08 de maio além do espetáculo, será realizado no local um workshop mediado pelo pesquisador e cantor Carlos Barros, com a temática “Reflexões sobre a música baiana na contemporaneidade”. A programação deste dia começa mais cedo, a partir das 18h30.

O acesso aos shows e workshops se dará mediante a troca de ingressos no local por 1 kg de alimento não perecível, sujeita à lotação da casa. O projeto idealizado pela artista Dora Bahiana conta com a parceria de Taís Fraga, produtora cultural e diretora da Sangue no Olho Projetos e Soluções Integradas, e tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

Quem foi Alcyvando Luz?

Alcyvando Liguori da Luz (30/9/1937 a 22/4/1998) foi um compositor, multi-instrumentista, cantor, maestro, arranjador e regente. Nasceu em Barreiras, no oeste baiano, e aos cinco anos, acompanhado por uma orquestra de 80 músicos, estreou pela primeira vez ao público com o solo “Aquarela do Brasil”(Ary Barroso) – fazendo jus ao ditado que diz que “baiano não nasce, estreia”. Para José Carlos Capinam (poeta, músico e amigo de Alcyvando), as composições do Negô Veio da Bahia – como era conhecido no meio artístico – tem a marca de uma geração que foi buscar a Bahia que não estava na superfície, mas acordava moderna e profunda de seus interiores para emergir aqui em Salvador em muitos cantos. Ele marcou várias gerações com sua versatilidade e consistência musical, deixando um acervo inédito com mais de 20 canções e experimentações. A Bahia perdeu um dos seus maiores talentos musicais, ao final dos anos 90. Alcyvando faleceu quando tinha 60 anos, em decorrência de problemas respiratórios, deixando um legado musical inspirador, com obras absolutamente atemporais e de valor inestimável para a Bahia.

Quem é Dora Bahiana?

Dora Bahiana é uma intérprete vocal, atriz e filósofa. Desde a infância, a artista já demonstrava ritmo e harmonia vocal, o que a levou à música. Iniciou sua carreira artística em 1995. Em sua vida já tentou trabalhar em outras áreas, mas para a artista, o que dá sentido à sua existência é o cantar, é a música. Estreou no Teatro Expresso Bahiano no evento “Terças Coopearte”, com o espetáculo: “Dora Bahiana…do Brasil”. Foi convidada pelo poeta Capinam para interpretar uma de suas canções no Teatro do MAM –BA, acompanhada ao violão por Alcyvando Luz. A convite de Edil Pacheco, participou do Carnaval de Salvador em 1996. Fiel à música bem elaborada, compôs a formação da “Orquestra 10” como vocal, apresentando-se no Projeto Pelourinho Dia e Noite e inúmeros eventos. Em 2000, foi indicada como melhor intérprete do Troféu Caymmi com o show “Poetas”. Dora também se apresentou em vários teatros da cidade com o seu espetáculo Canto IN Verso, além de ter participado do projeto Terça da Boa Música e do espetáculo de arte multi-integrada “Tragédia no Mar”, quando cantou com Maria Creuza e Carlos Lyra e ainda interpretou canção inédita de Gilberto Gil. No cinema, interpretou a maioria das peças musicais da trilha sonora do longa metragem “Retrato do Poeta”, de direção de Silvio Tendler.

O encontro de Dora Bahiana com Alcyvando Luz

Amor artístico à primeira vista. Ela, uma jovem cantora ainda em início de carreira à época, encantada por música popular brasileira. Ele, um compositor e multi-instrumentista já respeitado no meio artístico, com canções gravadas por grandes nomes como João Gilberto, Caetano Veloso e a Cabo-Verdiana Cesária Évora. Um barzinho aconchegante – desses que costumava promover encontros da boêmia refinada, que gostava da boa música – foi a porta para o que viria a ser uma grande parceria.

Um amigo do Nêgo Véio da Bahia assistia a uma apresentação da talentosa cantora e imediatamente se deu conta de que precisava unir aqueles dois na música. “A luz de Alcyvando se esconde nas dunas da Boca do Rio”, dizia José Carlos Capinam. E foi no seu estúdio, na Boca do Rio, que Alcyvando Luz já se apresentou à Dora Bahiana com um violão na mão, não dando outra alternativa a ela senão soltar a voz.

Desde então, os dois não se separariam mais, nem nos palcos nem na vida. Nascia ali uma relação fraternal e de amor à música. “Eu acabei me apaixonando pela obra dele e ele por mim, como cantora”, revela Dora.

Alcyvando Luz apadrinhou a menina. A levava com ele para os points de encontro dos artistas, como o bar Pimentinha, na Boca do Rio, onde Dora teve a oportunidade de tocar com Luiz Melodia. Foi ao lado de Alcyvando que Dora Bahiana conheceu também Capinam, Roberto Sant’Ana e Edil Pacheco, amigos do artista que acabaram fazendo parcerias também com a cantora.

À época que se conheceram, Alcyvando já estava finalizando aquele que seria seu último disco: Bahia de Oxalá. Para a tristeza do Nêgo Véio, Dora não teve tempo de participar. Porém, fizeram juntos inúmeras experimentações nos últimos anos de vida dele. Apesar do seu grande reconhecimento no meio artístico, a obra de Alcyvando foi pouco difundida. Foi com o intuito de homenagear seu padrinho e expandir a obra do Nêgo Véio, de valor inestimável para a Bahia e para a música popular brasileira, que Dora resolveu iniciar o projeto ‘A Bahia de Ouro e Pedra de Alcyvando Luz’. “Cantar Alcyvando Luz, é cantar o meu amor pela música”, define a cantora.

“Triste do brasileiro que não tenha dentro de si algumas coisas de baiano. E não só de urbanidade baiana; não só de polidez baiana; não só de gentileza baiana; não só de civilidade baiana; não só do bom gosto baiano; não só de religiosidade baiana; não só de ternura baiana; não só de civismo baiano; não só de inteligência baiana; mas também alguma coisa de malícia, de humor de gaiatice compensadora dos excessos de dignidade, de solenidade e da própria elegância. ” (Gilberto Freyre).

Serviço
Locais: Teatro Cine Solar Boa Vista – Salvador/ Teatro Amélio Dona Canô – Santo Amaro da Purificação
Datas: e 22/04 (Salvador) e 07/05, 08/05 (Santo Amaro da Purificação)
Horários: 19h30 (espetáculos) e 18h30 (workshops que antecedem as duas últimas
apresentações)
Ingresso: 1 kg de alimento não perecível (arrecadação será feita nos locais do
evento e destinada à Casa de Repouso de Idosos Bom Jesus.
Classificação: Livre

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