Painel da ceramista Hilda Salomão é destaque no aniversário do Cine Teatro Lauro de Freitas


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Hilda Salomão é a artista plástica que assina o Mural Aberto 3ª Bienal da Bahia

Em comemoração aos seus 33 anos, o Cine Teatro Lauro de Freitas – espaço cultural administrado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) – recebeu o painel “Mural Aberto 3ª Bienal da Bahia”, assinado pela artista plástica Hilda Salomão. Formada pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Hilda ocupa a cadeira de cerâmica do Museu de Arte Moderna da Bahia desde 1986.

Já teve suas obras expostas em festivais de cultura em Portugal, Argentina e já participou da mostra, em 2002, “Tratti e Colori dal Brasile – Pittura e Poesia”, na Itália. Em 2014, foi convidada pela curadoria da Bienal da Bahia e sua obra principal foi a escultura “A Nordestina”. É dona de um ateliê que forma profissionais, desenvolve trabalhos como terapeuta ocupacional, mantendo espaço aberto para o aprendizado de técnicas artísticas, em especial a cerâmica, e o desenvolvimento da criatividade.

Confira a entrevista que a SecultBA realizou com a artista:

SecultBA: O  Cine Teatro Lauro de Freitas inaugurou o Mural Aberto 3ª Bienal da Bahia. Como se deu o processo de composição desse mural?

Hilda: O Mural Aberto é um trabalho educativo referente à 3ª Bienal da Bahia, que veio com a questão: “É tudo Nordeste?”. Naquele momento, estava-se buscando as imagens que poderiam representar esse povo, essa cultura que nós temos. Então, eu, como professora na época de cerâmica do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), junto com toda a equipe da III Bienal, apresentamos este projeto para que pudéssemos levar às ruas a argila, para que o povo pudesse, a partir dessa questão que a Bienal levantou, traduzir os seus sentimentos e, dessa maneira, a gente pudesse ter um painel onde cada um que levou sua expressão, pudesse formar esse conjunto.

O processo foi educativo. Envolvemos o público em geral, escolas municipais, estaduais, fomos a instituições tanto de ensino como que trabalham com pessoas com dependência química, com pessoas que tem outras realidades e que pudessem também se manifestar. Temos assim, várias interpretações dessa cultura, traduzidas nessas pedras, que foi cada um fazendo sua leitura e traduzindo sua expressão e, daí, montando esse painel coletivo.

SecultBA: O que o painel representa?

Hilda: Simbolicamente, esse painel traz, revela, exatamente, o sentimento que essas pessoas têm da nossa cultura, a sua expressão pura, ingênua, sem nenhuma expectativa de que aquilo fosse se transformar em uma obra. Foi um trabalho feito de maneira bastante espontânea. Então, o que simboliza é o que essas pessoas trazem culturalmente, nas suas raízes, na sua expressão.

SecultBA: Como surgiu a ideia de doar o painel para o Cine Teatro Lauro de Freitas?

Hilda: A doação do painel para o Cine Teatro foi uma iniciativa a partir de um pensamento de que a gente pudesse colocá-lo em um espaço cultural importante e que pudesse fazer esse diálogo com a comunidade. Foi um convite de Gleide Machado [coordenadora do Cine Teatro Lauro de Freitas], no qual queria abrigar no Cine Teatro um painel que tivesse esse simbolismo e que pudesse representar essa expressão do povo. Imediatamente, acolhi essa ideia e assim está lá hoje fazendo parte desse espaço cultural, o que muito me orgulha.

SecultBA: Para você, qual a representatividade de ter o painel instalado na fachada no Cine Teatro Lauro de Freitas?

Hilda: Ele significa o trabalho que foi feito, elaborado, e que hoje a gente teve o resultado de lá. Espero que essa representatividade, a gente possa mostrar inclusive para a população como foi feito, que a gente possa conversar sobre isso, ter algum tipo de mediação que explique como esse painel foi elaborado. Eu fiquei muito feliz de ele estar lá no espaço cultural.

SecultBA: Qual foi o legado que a III Bienal da Bahia deixou para o cenário cultural do Estado?

Hilda: O legado maior foi a gente poder interagir de maneira espontânea, livre, com toda população. Na realidade, essa Bienal integrou a população, várias e diversas áreas, tanto do plano da arte como da educação. O legado veio de poder expandir, levar a arte para rua e trazer essa rua para dentro do museu. Os processos educativos que foram trabalhados durante a bienal trouxeram a participação da população de maneira indiscriminada, foi muito interativa.

Esse painel fez parte do meu projeto educativo e meu ateliê fez parte da visitação para que as pessoas pudessem conhecer e discutir sobre cerâmica, um processo de levar a arte nas ruas e de trazer as ruas para dentro de ateliê, de museu. Hoje, o mural está na fachada do espaço cultural, como uma representação popular de um processo educativo, de uma artista visual que é ceramista e que teve como expectativa que essas pessoas pudessem, todas elas, se envolver num projeto coletivo. Cada um tem sua representação e o coletivo está aí montado como um mural.

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